Vendas de veículos não reagem e caem 18,8% em janeiro, informa associação de montadoras

O mercado brasileiro de veículos começou o ano como havia encerrado 2014, em marcha a ré. As vendas no mês de janeiro totalizaram 253,8 mil unidades (entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões), segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado representa uma queda de 18,8% em relação às vendas do primeiro mês do ano passado, de 312,6 mil veículos.

Para Luiz Moan, presidente da Anfavea os números de janeiro não foram uma surpresa. A associação de concessionárias de veículos, Fenabrave, também já tinha alertado no começo da semana para o fraco resultado de vendas do mês, que foi o mais baixo para o período desde 2011. — Como já tínhamos antecipado, esperamos um primeiro trimestre extremamente difícil para o setor, em razão dos ajuste em curso nas contas fiscais do governo — disse Moan, nesta quinta-feira, em São Paulo. A produção de carros alcançou 204,8 mil unidades em janeiro deste ano, 13,7% abaixo da marca registrada um ano antes. Em janeiro de 2014, foram produzidas 237,3 mil unidades, de acordo com a Anfavea. Mas, frente a dezembro, a produção de veículos no Brasil em janeiro subiu 0,49%. A baixa ocorreu em um mês marcado por greve de dez dias na principal fábrica da Volkswagen no país, realizada em protesto pela demissão de 800 funcionários da unidade instalada em São Bernardo do Campo. Com o menor volume comercializado e a produção mais lenta, o setor registrou leve redução em seus estoques: eram 351 mil unidades no final de dezembro, o equivalente a 41 dias de vendas, e passaram a 318, 5 mil no final do mês passado. Perguntado sobre as fracas perspectivas para o setor este ano e o impacto que isso pode ter sobre os empregos, Moan disse que programas como o lay off e o planos de demissões voluntárias (PDV), que vêm sendo adotados por praticamente todas as montadoras, são instrumentos de “defesa dos empregos”. — Essa é uma decisão individual e cada empresa, mas o que vemos é que há uma busca intensa da manutenção dos empregos — disse. Em janeiro, houve redução de 400 postos de trabalho na indústria, que em 2014 o setor já havia eliminado 12 mil postos. As indefinições do governo sobre as novas condições de financiamento do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI) afetaram duramente as vendas de caminhões, que caíram 28,4% neste início de ano ante janeiro de 2014. — Trata-se de um segmento muito dependente dos financiamentos públicos, e o BNDES só definiu as novas taxas em 19 de janeiro, o que não permitiu aos agentes financeiros adaptar suas linhas antes do fim do mês. Mas as novas taxas são bastante atraentes em relação às oferecidas no mercado e esperamos com isso reverter a queda de janeiro — disse o presidente da Anfavea. Ajudando a deprimir a produção, a indústria sofreu queda de 27,9% nas exportações de veículos de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, para 16,3 mil unidades. Em valores, as vendas externas do mês passado foram de US$ 484,18 milhões, 29,3% menores que o resultado obtido um ano antes. O balanço dos fabricantes de automóvel mostra um mal começo de ano para a indústria automotiva, que já havia encerrado 2014 com recuo de 15,3% na produção. Entre janeiro e dezembro do ano passado foram produzidas 3,15 milhões de unidades, contra 3,71 milhões no mesmo período de 2013. As vendas caíram 7,1% entre 2013 e 2014: de 3,77 milhões para 3,50 milhões. Em dezembro, havia 351 mil unidades em estoque na indústria e nas revendedoras.

O Globo Online

  • Data: 06/02/2015
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